Entre intenção normativa e inclusão substantiva

capacidades estatais e sandbox regulatório no setor elétrico brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20832482

Palavras-chave:

Sandbox regulatório, Política pública, Amazônia, Pobreza energética, Transição energética

Resumo

Este trabalho examina como a ativação diferenciada de capacidades estatais pode promover inclusão formal, entendida como a expansão do acesso em termos infraestruturais e administrativos sem garantia de uso efetivo ou adequado, e limitar inclusão substantiva, compreendida como o acesso efetivo, adequado e socialmente reconhecido, capaz de gerar benefícios nas dimensões distributiva, procedimental e de reconhecimento da justiça energética. Ancorado na literatura sobre capacidades estatais e desenho institucional, o estudo analisa a implementação do Programa Luz para Todos (LpT) no Território Indígena do Xingu, na Amazônia. O trabalho adota o desenho qualitativo de caso único, baseado em análise documental sistemática, reconstrução do arranjo institucional e exame de relatórios de avaliação produzidos por comunidades indígenas e organizações da sociedade civil. Os resultados indicam que o arranjo institucional priorizou capacidades infraestruturais e administrativas, enquanto capacidades político-relacionais, analíticas e dinâmicas foram mobilizadas de forma parcial. Também demonstram que LpT promoveu inclusão formal por meio da expansão da infraestrutura e do acesso administrativo ao serviço, mas apresentou limitações na inclusão substantiva, dadas inadequações tecnológicas, ausência de consulta prévia, restrições ao uso produtivo da energia e fragilidades no modelo de faturamento e na comunicação, o que comprometeu a efetividade dos benefícios sociais, econômicos e territoriais, limitando a inclusão substantiva nas dimensões distributiva, procedimental e de reconhecimento da justiça energética. A partir desses achados, o trabalho discute a proposta de institucionalização de um sandbox regulatório no setor elétrico como instrumento de governança adaptativa capaz de integrar participação territorial, aprendizado regulatório estruturado, reformas baseadas em evidências e salvaguardas distributivas, destacando que sua implementação pode ser iniciada no presente, mas requer acompanhamento contínuo ao longo de sua evolução para avaliar, de forma sistemática, as implicações formais e substantivas decorrentes da experimentação. Conclui-se que a configuração institucional, e não apenas a intenção normativa, explica a distância entre expansão formal de cobertura e inclusão substantiva.

Biografia do Autor

Graciele de Fátima Oliveira Rodrigues, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa

Doutoranda e mestre em Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Atua na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), na Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica, como Assessora Adjunta de Gestão Estratégica. Desenvolve atividades nas áreas de regulação econômica, estrutura tarifária, planejamento estratégico e experimentação regulatória no setor elétrico brasileiro.

Camila Figueiredo Bomfim Lopes, Universidade de Brasília

Mestre em Regulação e Gestão de Negócios pela Universidade de Brasília (UnB) e graduada em Ciências Econômicas, atua como Especialista em Regulação Econômica na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Possui experiência em regulação tarifária e planejamento do setor elétrico, com atuação em transição energética justa, pobreza energética e modernização tarifária.

Vinicius Oliveira da Silva, Universidade de São Paulo

Doutor em Ciências pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e pós-doutor em modelagem e regulação econômica. Professor assistente na EPUSP e Gerente e Especialista em Energia do Programa de Infraestrutura para a Amazônia do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), onde coordena iniciativas em regulação, políticas públicas, acesso à energia elétrica, bioeconomia e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

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Publicado

30-06-2026

Como Citar

Rodrigues, G. de F. O., Lopes, C. F. B., & Silva, V. O. da. (2026). Entre intenção normativa e inclusão substantiva: capacidades estatais e sandbox regulatório no setor elétrico brasileiro. Campo De Públicas: Conexões E Experiências, 5(1), e00204. https://doi.org/10.5281/zenodo.20832482