Territorialização e reparação em sentido indígena
disputas da Aldeia Katurãma após o rompimento da barragem da Vale S.A. em Brumadinho
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21072344Palavras-chave:
Territorialização, Reparação, Povos indígenas, Conflito socioambiental, Aldeia KaturãmaResumo
Este artigo analisa a emergência da Aldeia Katurãma, formada por indígenas Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe, após o rompimento da barragem da Vale S.A. em Brumadinho (MG). O objetivo é compreender como o seu processo de territorialização tensiona os sentidos da reparação em disputa no contexto do desastre. O estudo demonstra que o desastre produziu efeitos que excedem os danos materiais, comprometendo vínculos territoriais, comunitários e cosmológicos. Em resposta, a constituição da Aldeia criou condições para a reconstrução da vida coletiva, a afirmação identitária e a ampliação da capacidade de interlocução política da comunidade, sem eliminar os conflitos e as disputas que seguem atravessando os processos de reparação. Com base em pesquisa etnográfica fundamentada na análise de documentos institucionais, discursos públicos de lideranças indígenas e acompanhamento situado de processos participativos vinculados à reparação, sustenta-se que a reparação reivindicada pelos indígenas não apenas se limita à compensação de perdas, mas também envolve a reconstrução das condições necessárias à continuidade de seus modos de vida. Conclui-se que a territorialização permite disputar os próprios significados do território, da conservação ambiental e da reparação, tensionando racionalidades institucionais. Essas tendem a reduzir danos a medidas compensatórias, inscrevendo, nos instrumentos reparatórios, reivindicações relacionadas à continuidade da vida coletiva indígena.
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