Racismo epistêmico
(in)visibilizações e (in)compreensões no campo da administração
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22833990Palavras-chave:
racismo epistêmico, pluralidade epistêmica, administração, gestão social, decolonização do conhecimentoResumo
Este estudo tem como objetivo compreender como pesquisadores da área de administração, atuantes em universidades públicas de Santa Catarina, percebem o racismo epistêmico, analisando como essas compreensões se relacionam com os desafios da pluralidade epistêmica e da democratização do conhecimento no campo da administração. A questão central que orienta a pesquisa investiga como esse fenômeno é percebido e compreendido por tais agentes e quais são os seus efeitos na participação e na diversidade científica da área. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa por meio de 22 entrevistas semiestruturadas com docentes e discentes vinculados a programas de pós-graduação stricto sensu no estado. A análise dos dados articulou as técnicas de análise de conteúdo, análise descritiva e abordagem interpretativa. Essa última considerou os resultados empíricos, o embasamento teórico e a experiência de um dos pesquisadores. Os resultados apontam duas subcategorias principais: a) racismo na construção do conhecimento científico e b) confusão conceitual ou desconhecimento do termo. Constatou-se que, enquanto alguns pesquisadores reconhecem a existência de uma hegemonia que marginaliza epistemologias não ocidentais, outros desconhecem ou interpretam erroneamente o conceito. Conclui-se que a forte presença de uma racionalidade hegemônica, no campo da administração, atua de forma a invisibilizar saberes, sujeitos e epistemes diversas. O estudo reforça a urgência de ampliar os debates sobre justiça epistêmica, pluralidade e formação antirracista, contribuindo para a promoção da democracia plural e para a transformação do campo científico.
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