Experimentações democráticas sociocentradas
fundamentos teóricos e perspectivas analíticas
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22859185Palavras-chave:
experimentações democráticas sociocentradas, política, democracia, participação, decolonialidadeResumo
Com o objetivo de resgatar e valorizar saberes-fazeres políticos oriundos do Sul Global, este artigo propõe um aprofundamento do conceito de “experimentações democráticas sociocentradas” (EDS), orientado por uma perspectiva ontoepistêmica descolonizada. Busca-se, com isso, contribuir para a construção de um quadro analítico capaz de interpretar e reconhecer essas experiências em diferentes contextos. Elas são classificadas em três tipos: povos e comunidades tradicionais, lutas populares e movimentos sociais e coletivos contemporâneos. Para tanto, retoma-se a noção de ampliação ontoepistêmica da política, elucidando seu significado por meio de cinco categorias estruturantes: comunidade, cotidianidade, alteridade, integralidade e autogestão. Em um segundo momento, examina-se a articulação entre investigação pública e experiência pública, dimensão central para a compreensão das práticas políticas analisadas. Essas reflexões convergem, por fim, na consolidação do conceito de EDS, sustentando a hipótese de que esse referencial amplia o nosso alcance analítico, inclusive para além do contexto latino-americano. O artigo, de cunho teórico, constrói-se por meio de processos de busca, revisão e interpretação de literatura. Como resultado, constatamos que as EDS se constituem como expressões de autonomia coletiva diante do Estado e do mercado; promovem uma crítica radical às formas hegemônicas de democracia representativa; articulam o cotidiano com o político, desestabilizando dicotomias tradicionais; compartilham uma aposta comum na transformação democrática a partir das margens e, finalmente, contribuem para a redefinição do significado e do valor potencial dos “sujeitos periféricos” nas sociedades contemporâneas, por manter aberto o espaço das alternativas de futuro.
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