Redistribuição que não transforma

capacidades estatais e reprodução de desigualdades no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20831552

Palavras-chave:

capacidades estatais, Desigualdades, redistribuição, Políticas públicas

Resumo

O artigo analisa o paradoxo da política redistributiva no Brasil, caracterizado pela coexistência de instrumentos eficazes no alívio imediato da pobreza e a persistência de elevados níveis de desigualdade estrutural. Partindo de uma abordagem institucional e histórico-estrutural, o estudo argumenta que a limitação dos efeitos redistributivos não decorre da ineficácia dos programas de transferência de renda, amplamente reconhecidos por sua capacidade de reduzir a pobreza e ampliar a proteção social básica, mas, sim, da incoerência do arranjo institucional no qual esses instrumentos estão inseridos. A análise evidencia como a regressividade do sistema tributário, o padrão desigual de alocação do gasto público, especialmente na educação, e a concentração de benefícios decorrentes de incentivos econômicos neutralizam parte significativa dos ganhos redistributivos das políticas sociais. O artigo sustenta que o Estado brasileiro opera com capacidades seletivas, fortes para implementar políticas de baixo conflito distributivo e frágeis quando a redistribuição implica confrontar interesses econômicos consolidados. Ademais, argumenta-se que a herança histórica da escravidão e os limites da democracia substantiva contribuem para a baixa legitimidade política da redistribuição estrutural. Conclui-se que a redistribuição no Brasil funciona predominantemente como mecanismo de compensação e estabilidade social, e não como instrumento de transformação das desigualdades, reforçando a necessidade de repensar o papel do Estado e a coordenação dos instrumentos de política pública.

Biografia do Autor

Luís Guilherme Izycki, Escola Nacional de Administração Pública

Possui graduação em Engenharia Industrial Elétrica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2015), MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2022) e mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento no Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (2024) e é doutorando em Desenvolvimento, sociedade e cooperação internacional na Universidade de Brasília. Atua na GNova, a Diretoria de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), com projetos de inovação aberta e modernização do Estado. Tem experiência na criação de projetos e programas de inovação em governo.

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Publicado

30-06-2026

Como Citar

Izycki, L. G. (2026). Redistribuição que não transforma: capacidades estatais e reprodução de desigualdades no Brasil. Campo De Públicas: Conexões E Experiências, 5(1), e00193. https://doi.org/10.5281/zenodo.20831552