O lítio na governança do clima: geopolítica empresarial, desregulação e efeitos derrame

Autores

  • Raquel Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
  • Marcos Zucarelli Fundação João Pinheiro (FJP), Belo Horizonte, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0003-0664-730X
  • Natália Castilho Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
  • Priscilla Rumin UFMG

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17409047

Palavras-chave:

Lítio, Transição energética, Modernização ecológica, Neoextrativismo, Justiça ambiental

Resumo

O artigo analisa os vínculos entre a exploração do lítio no Vale do Jequitinhonha e a transição energética, examinando como tais processos inscrevem-se na lógica da modernização ecológica e do chamado “consenso da descarbonização”. A partir da metodologia qualitativa de análise de documentos, trabalho de campo e etnografia de audiências e reuniões, observa-se a conformação de uma geopolítica empresarial, consolidada na narrativa celebratória do “Vale do Lítio” e na promessa de prosperidade ancorada em soluções de mercado para a crise do clima. Ao retomar a trajetória histórica do desenvolvimento sustentável como narrativa legitimadora, o texto mostra que o modelo atual de transição energética não rompe com o padrão do neoextrativismo, mas, sim, o atualiza. Reformas legais, flexibilizações regulatórias e coalizões parlamentares convergem para acelerar licenciamentos, reduzir incertezas mercantis e alinhar os ritmos da política ao capital. Com base na perspectiva teórica da ecologia política e da justiça ambiental, mostra-se como os chamados “efeitos derrame” transcendem os impactos físicos e socioeconômicos, atingindo marcos regulatórios, práticas democráticas e direitos territoriais. Conclui-se que, sob a retórica da “mineração em benefício do clima”, a transição energética reproduz desigualdades ambientais e naturaliza a formação de novas zonas de sacrifício.

Biografia do Autor

Raquel Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mestrado (2008) e Doutorado (2014) em Sociologia pela mesma instituição e estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, 2015). É professora do Departamento de Sociologia da UFMG e membro da coordenação do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA/UFMG), núcleo de pesquisa e extensão da mesma instituição. É docente dos programas de pós-graduação Sociedade, Ambiente e Território(UFMG/Unimontes) e Sociologia (PPGS/UFMG). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/8114535454027481.

Marcos Zucarelli, Fundação João Pinheiro (FJP), Belo Horizonte, MG, Brasil

Pós-doutor em Antropologia Social (2021-2024) pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, no Museu Nacional, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS/MN/UFRJ). Doutor em Antropologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFMG (2018). Mestre em Sociologia (2006) e Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002). Pesquisador do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA/UFMG). É Membro do Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA); e Pesquisador em Ciências Aplicadas e Políticas Públicas da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro (EG/FJP).CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5920586994834833.

Natália Castilho, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

Mestranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGs/UFMG). Bacharel em Ciências Socioambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participa do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA/UFMG), atuando nos campos da pesquisa e extensão no projeto "Observatório dos conflitos ambientais: tecnologias sociais e justiça ambiental". CV Lattes http://lattes.cnpq.br/2812751322159402.

Priscilla Rumin, UFMG

Mestranda em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (PPGS/UFMG). Bacharela e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Participa do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA/UFMG), atuando em pesquisa e extensão através do projeto "Observatório dos conflitos ambientais: tecnologias sociais e justiça ambiental".CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/3973424165782966.

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Publicado

24-12-2025

Como Citar

Oliveira, R., Zucarelli, M., Castilho, N., & Rumin, P. (2025). O lítio na governança do clima: geopolítica empresarial, desregulação e efeitos derrame. Campo De Públicas: Conexões E Experiências, 4(2). https://doi.org/10.5281/zenodo.17409047